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Mostrando postagens de outubro, 2019
ESTE NÃO É UM POEMA DE AMOR os arabescos invisíveis que desenhei com os fios dos teus cabelos estão marcados sobre a tua carne que agora se deposita e existe tão longe de mim... enquanto outros dedos brutos e obtusos te percorrem passo pela vida existindo bastante fantasmagórico sem carne sem vida vagando pelas esquinas                            enquanto outros dedos brutos e obtusos te percorrem corro para as putas que me socorrem e os dias rapidamente escorrem. PORÉM... o canto delas não é tão harmonioso                                      - quanto o seu! nem o sorriso delas é tão maravilhoso                                       - quanto o seu! tampouco os olhos delas são         ...
ROCIO DE TRISTEZA No fim desta tarde há um tom de branco violáceo no céu recamado com nuvens sorumbáticas que se movem carregadas de chuva.                 Este rocio de tristeza goteja dos céus os fios lá fora estão levemente molhados as luzes dos postes recém-acesas me observam noite após noite a sucumbir na fuligem dos dias pelos quais resvalo como fosse um falo de um mui antigo cavalo.
nas trevas aranhas como senhoras mui dedicadas tricotam suas teias tagarelando sem voz umas com as outras sobre o destino iminente de cada homem e mulher do planeta. as aranhas tramam tramam tramam tricotam e tecem sobretudo quando anoitece porque é quando homem adormece que elas sorriem e aparecem com seus muitos olhos com suas várias pernas com as muitas coisas que se movem dentro da escuridão. menos os muitos móveis dentro dos muitos imóveis que nunca se movem mesmo ao mais triste dos prantos. as aranhas sorriem nos seus cantos sinfonizando suas teias até mesmo nas cadeiras esquecidas por sobre as areias.
a lama púrpura do meu sangue dentro do meu organismo flui e como poeta e mago da ressignificação prossigo o meu destino construindo o caminho com tijolos feitos por minhas próprias mãos                     enquanto isto sucede em meu peito pulsa uma pedra escarlate                     às vezes com certa repulsa...
É madrugada... estou aqui cogitando: se houvesse como depositar toda a minha tristeza na ponta da minha caneta não sobrariam folhas de papéis secas na droga deste planeta. quem sabe isso pudesse tingi-lo com alguma beleza!
FLORES SEM CORES flores lívidas tombam das copas das árvores como fossem as melindrosas pétalas invisíveis do meu coração que ressequidas                           caem sobre a estrada da vida.
NA PENUMBRA contemplar o rosto dela na semiclaridade era tão bom... tenho de prosseguir acreditando que vislumbrarei mais uma vez a luz daqueles olhos.
de repente: agora os meus versos                 -inusitadamente                                           -soam... não tão de repente: agora os meus versos                   -inusitadamente                                           -voam!
tuas vibrações vibraram vidros que jazem partidos  pelo poder da tua voz...
Naquela noite o som do vento era tão fascinante quanto era a quimera aprisionada no teu canto pois        ambos formavam um uníssono: um inebriante pranto.
certamente esta é a pior ressaca que tive neste ano são 7:30 da manhã e estou apaixonado... os urubus voam as folhas desabam das árvores. a porta que me leva até a rua está aberta: o vento entra não estou mais só. é incrível mas a verdade é que me sinto muito bem enquanto martelo estes versos sobre estas páginas que um dia serão arrancadas é necessário arrancá-las do contrário jamais criarão asas.
estou aqui sentado num bar do estado do Espírito Santo aos 27 anos esperando aquele poema poderoso que salvará  a carreira que ainda não tenho. estou aqui sentado num bar esperando por um maldito poema que venha atingir não só as minhas profundezas artesianas mas a tua a nossa a dos meus contemporâneos  a daqueles que já morreram a daqueles que ainda virão... é engraçado! ... mas exatamente como há mil anos atrás ainda é difícil escrever um poema. é tão difícil quanto existir! e o que hoje em dia é mais difícil do que existir? eu gostaria de escrever um poema... porém sou humano e  depressivo sei que corro o risco iminente  de me matar amanhã... NO ENTANTO gostaria muitíssimo  que você pensasse diferente de mim. gostaria muito de lhe dizer que quando o mundo se tornar ainda mais impossível de viver você pode criar outros dentro de você! se eu -  por exemplo - não conseguir e...