A musa do lagar
Levantada qual uma deusa e colocada do lagar
Ao som das cordas começou, leda, a dançar
Erguendo com candura o vestido, vasta sensualidade,
Mesmo sem saber, tirava-me desta realidade.
E eu ali a observar aquela musa de verdade
Dessas que prendem o poeta em qualquer idade;
Colocando-lhes asas no pensar e fazendo-os voar
Tão alto que perdem completamente o ar.
Sei que nunca entre os meus braços a terei,
Aind'assim pelas uvas em vinho esperarei
E mesmo novo seja o vinho o beberei.
Pois sei que por ele não sentirei desgosto,
Toda vez que o beber recordarei seu rosto
Já que o vinho que pisou leva um pouco do seu gosto.
SARÇA, dos Silva e Santos
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