(XXI)

Naquela manhã, fiquei a contemplar 
As casas altas daquela rua;
Um carro tão grande parado
À frente duma daquelas casas (essa era baixa)

Não consigo entender o porquê, mas
Àquela enorme máquina trouxe-me 
Em forma de pensamento o Electra II,
Àquele enorme possante me lembrou 
O poema de Gullar, dei-me conta que
Por mais que ele seja de tão grã valia
Ao seu dono terminará seu dias
                                              [num ferro-velho

Vi uns insetos em revoada, num voo
Tão simples, voavam de uma guisa
Imperfeita, feia, mas aind'assim
À minha frente furavam a parede de ar
Como se quisessem dizer: "O nosso voo
Pode até ser rústico, mas e tu humano,
Por um acaso podes tu voar?"

Depois voei: No mundo há muita gritaria
Ultimamente, são manchete em todos
Os jornais, lá no Oriente as forças
Endógenas e exógenas acossam as pessoas,
No Médio há muito tiro e bandeiras levantadas,
Ali no Alasca há neve, há calma e espero
Que haja esquimós furando o gelo.

                                 SARÇA, dos Silva e Santos



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