(XXI)


Velhos, não sintam inveja dos jovens
Porque um dia também foram jovens

Jovens, não desprezais os mais velhos
Pois um dia também sereis velhos

Vivos, não tirais vossas já efêmeras vidas
Deixem-nas já intactas, pois mesmo
Que ninguém as toque, elas já se acabam

Mãos! Mesmo que todos as lavem
Como quem tem TOC, tornar-se-ão
De novo sujas, porque são humanas mãos

Penso em Deus: se eu pudesse salvaria 
A todos, mas no momento não salvo
A mim mesmo, sou vil, ignóbil,
Abjeto... mais até que qualquer mero objeto

Jovens, velhos, vivos, "mortos"... Leiam,
Leiam mais, com a mesma contumácia
Que usam para tentar ascender socialmente

Pois se um dia deparardes-vos com alguma
Esfinge, e ela vos fizer a mesma indagação 
Que fizera a Édipo, decerto não morrereis.


                                                    Sarça, dos Silva e Santos

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