Poema a três (XXI)
Adentro num ônibus qualquer, mas que
[passe no bairro onde moro
O veículo vem sempre lotado na volta pra casa;
Entretanto, de quando em quando, há um
Casal de amigos, na maioria da vezes, sentados
A conversar: o homem é bem palrador
E solta uns "belos" palavrões em suas frases,
Em seguida põe-se a rir freneticamente,
A moça é calma (aparentemente), porém conversam
De igual para igual e ela costuma
Acompanhá-lo quando esse põe-se a rir
-Eu evito, sempre, de passar logo pela catraca,
pois sou a favor da descatracalização da vida,
e hoje quase passava de primeira, já que
lá atrás tinha bastante espaço, ainda
bem que não fui, quando percebi o casal
de papo estava à minha frente.
Porém, hoje foi diferente ele não falava
tão alto e ela quase não existia de tão
tácita que estava, a cerca de um metro
[a catraca me chamava
Ela, calada, apenas escutava, enquanto
Ele qual um filósofo (talvez por ser mais velho)
Falava, dava-lha um sermão, falou das
Coisas erradas que fizera e do arrependimento
Pelas mesmas, falou dos filhos e como um
Leão quase rugiu em cogitar que alguém
Fizesse-lhes algum mal
Em seguida ele voltou a ser ordinário
Soltou o palavrão e sorriu freneticamente,
Ela pareceu que ia acompanhá-lo, porém
Só meneou a cabeça e mesmo assim sorriu
A catraca os chamou e passaram por ela
E depois de uns dez ou quinze minutos
A minha vez chegou e por ela também
[passei
Por fim, a catraca nos obrigou a
Passar por ela e nos catracalizou,
Mas o nosso poema desceu pela frente.
SARÇA, dos SILVA e SANTOS
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