Sociedade dos (XXI) Poetas Marginais
Há poetas mortos, matando, roubando
São, em muitas das vezes, mais novos
[que eu
São poetas não-bem-vindos em sua
[própria terra
Estão expatriados dentro do seu próprio
[país
Enquanto roubam, na verdade são roubados,
Privados duma casa boa, duma boa
[educação
Mas qu'importa? -Que seja privado!
Em todo jovem que morre ou mata
Vejo um poeta; infelizmente, quando
Algum deles mata, sem saber, está
[a matar um poema
E quando algum morre, quantos poemas
[esse leva ao esquife ?
Sou tão poeta quanto eles, mas não mato,
[não roubo;
[só morro
Mas quando a sociedade nos olha, apenas
Com o olhar nos diz: "Marginal, marginal,
Marginal, marginal, marginal, mar..."
Ai de quem não tem um aparelho celular, caro!
Dó de quem não tem calçado, caro!
Ai de quem não tem prestígio social; tenha-o!
Como tê-los: roubando, matando ou morrer tentando.
dos Silva e Santos
Comentários