Eu me visito

Deitado em meu catre -fechei os olhos.
Ao abri-los tudo estava a girar
Numa vertigem louca -fechei de novo os olhos
Quando descerrei quem girava era eu
Dentro do cômodo, do tempo, fora de 
                                                               [mim

De repente, um ponteiro humano pairando 
                                                                [no ar
Com os braços e pernas esticados, qual
                                       [um Homem Vitruviano
E da Vinci estava lá -no passado, mas 
                                                [dentro do tempo
                                                               [comigo

A minha infância, o meu futuro, as 
Petecas e os piões com os seus pregos gastos
De tanto rodar, todos ali -no tempo

O meu eu do futuro bateu no meu ombro,
                                                           [de leve
"Não te consumas por conta de mim". Falou-me.
Acrescentando: "No futuro, eu não passo
De uma tela alvacenta. E o desenho que
Há de assomar nessa tela, tu, ainda, nem
                                                  [nem o iniciaste."

Um poeta versejou: "Quem faz um poema salva um afogado."
Quem sabe algum dia um dos meus salve alguém,
Para que esse alguém também me salve.


                                                                    Silva dos Santos


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