Vendo-se por fora
Um homem sentado num ônibus
Num banco feito para dois;
Do seu lado apenas o vazio
Que parece refletir o que há no seu peito
Aquele homem olha pela janela
Como se os seus olhos enxergassem além
De todos aqueles concretos que veem,
Como se vislumbrassem após o agora
[por sobre os muros
Todos que o veem (com os olhos), passam
[olhando-o com desdém
Pois quando fitam os seus em tal ser humano
Os seus olhos desumanos acabam por odiá-lo
Porém se cerrassem os seus pares e assestassem
Seus rostos em direção ao seu pérfido corpo:
Viriam
poemas
emanando
dele
Como
o
líquido
que
emana
De um olho d'água.
dos Silva e Santos
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