Ó Eva
O vento soprando nas maçãs do teu rosto
Lembrou-me um jardim no Éden
Recordou-me a desdita que as mulheres
Há muito nos trazem, a nós homens
É a desgraça velada em seus rostos e olhos
Furtivos, que nos levam o coração do peito
Sem que saibamos, sem que notemos;
Entretanto, desd'a primeira vez que nos ofereceste, o
Teu fruto, ó Eva, não foi para a nossa des-
[graça
Ma'sim pela compaixão que sentiste em ver o
Teu Adão ali triste, pensando em nada
Sem saber sobre a dor, amor ou prazer
-Antes de nós, ó Eva, já havia uns dois mil
[anos
Que comera o fruto, e por isso as suas
Filhas são e vão muito além de nós...
Por fim, deu-nos e comemos o pomo, e
Aparecendo a nós com a sua voz de trombetas, Deus
Amaldiçoou-nos; mas não te preocupes,
Não te perturbes, ó Eva, pois foi a tua compaixão
Por nós que nos fez despertar para a dor, prazer
ódio, rancor, empatia, compaixão (que em ti já havia)
E acima de tudo para o Amor: que tudo suporta,
Tudo espera e tudo perdoa; Pior seria se Deus
Nunca nos tivesse "punido" e você, ó Eva,
Para sempre nos desprezado, afinal, Deus tirou-te
Da nossa costela para que a falta fosse deveras nossa.
dos Silva e Santos
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