NOITES NOS CAMPOS DA CIDADE

E naquelas noites
Olhando ao redor
Pensávamos que
A vida estava
Batendo apenas
Em nossos peitos

E dentro das infinitas
Noites com os olhos
Completamente embriagados
De bebidas alcoólicas
E irresistivéis brumas
Que eram compradas
Em embalagens coloridas
Ou em cápsulas
Que lembravam dentes
De vampiros.

E realmente eram
Quais vampiros
Sugando-nos o sangue
A carne os ossos
A calma e a alegria.

Mas existia sempre SEMPRE
SEMPRE ETERNAMENTE SEMPRE
UM BREVE MOMENTO
EM QUE OS DEUSES VINHAM BEIJAR-NOS
OS PÉS COM SUAS BOCAS DOCES
ABRAÇANDO-NOS COMO SE NÓS
FÔSSEMOS ADORADOS
E NÃO ADORADORES
SIM!
TODOS ELES VIAM AOS TEMPLOS
DOS NOSSOS CORPOS E DELEITAVAM-SE
AO SOM DE MÚSICAS INTRUMENTAIS
OU SENTIMENTAIS

Porém
As noites acabavam
As brumas evaporavam
Ao calor dos dias
E a forte ressaca
Vinha bater na porta
De nossos crânios
Logo de manhã.

E nós éramos apenas
Anjos
Cansados
E presos em
Corpos humanos
Mas não sabíamos voar.

Wendley Silva dos Santos

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