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Mostrando postagens de novembro, 2018
AINDA A RESPEITO DO ANJO DE METAL Se o anjo de metal fosse desplumado conseguiria voar?  ou procuraria um promontório como a poeta Safo para se jogar procurando livrar-se (assim) de sua maldição?... Sou destinado a ser o anjo que fala este idioma solar  esta linguagem metálica e quando os homens a ouvem cobrem os ouvidos com as  conchas das suas mãos olham-me como se estivessem constipados lançam-se por terra. Minha fala para eles é como fogo que desceu do sol ou dos sóis para atormentá-los: é preciso nadar contra a  corrente - é preciso aprender a usar o vento a favor...
O POEMA OCO Suas virgens vertigens que circulam em torno do nada e são como asas rubras que se banharam em sangue e voam para longe onde as flores ainda conversam entre si e a paisagem devoluta as acolhe essas asas põem-se a beijar os lírios puros osculam o auge das montanhas onde se derramam frágeis raios de sol vão deixando o rastro carmesim como fossem um hemorrágico que pela boca expele o sangue mas ainda assim essas asas voam em direção ao sol e mancham-se como mariposas ápteras em sem arrebol.
A MUSA INFERNAL Na diafaneidade de tuas unhas comprimias-me o meu coração como sádica harpia eu cativo de tuas mãos qual fantoche ia de um lado a outro conforme tua vontade corrompida! Apresentou-me a luxúria de teus peitos: pomos de dourada cor. Levou-me de maneira meiga a naufragar em tuas entranhas acolheu-me em teu regaço como eu fosse um monstruoso parto acariciou-me e acalmou-me com um sorriso torpe na obscuridade de teu quarto, Musa Infernal! A pureza que de mim roubaste (tu) devoraste-a como se sozinha fosses um bando de ferozes feras e deveras eras! nesse dia assisti o meu próprio ocaso suceder. Não obstante: vi a musa bela e dourada dos infernos coroar-me a fronte com o diadema de poeta!
um ubanoide como sou dar-se-ia bem vivendo no campo? não acredito nisso... estou há tempos demais vivendo dentro dos muros da cidade! minh'alma está concretizada enquanto meu corpo se desfaz imagino que pra mim tudo chegue tarde demais... fantasio como seria bom ir ouvir o canto dos pássaros exaltando toda a Natureza ao menos duas vezes por ano mas mesmo que - eu - fosse viver com as ninfas das águas amazônicas dentro de suas moradias provavelmente escutaria os sons da cidade a ecoar sempre dentro de mim: como fugir da cidade que ergueram em meu crânio? ela superabunda em sons que não consigo conter!
Toca a minha flauta meu bem qual uma deusa um dia o fez nas espessas florestas onde as feras jaziam rendidas aos seus pés.
O SER FEITO DE AREIA coisas essenciais não existem mais tudo é vago: as pessoas o ontem o hoje e o amanhã tudo é substituível... num mundo onde as pessoas abrem os braços a tudo e não abarcam nada! permitem a tudo escapar das suas mãos como fossem um deus solitário feito de areia... será preciso molhá-los com um pouco d'água da Realidade? meu Deus, sinto-me afogado!
Sol, empreste-me um pouco da sua luz envelhecida, quem sabe ela seja capaz de rejuvenescer-me, mas ainda sou tão jovem, talvez este sangue primevo naufrague-me em suas águas profundas eu que sou ainda iniciante, principiante em todas as coisas:         ele                  me          atordoa      por saber o que será feito de mim!