NIDIFICAI

Minha poesia nidificará
no vazio aparente e cravará
a boca vil qual um lactente
e com a sonolência de um
borracho tragará o néctar
divino de tuas tetas possantes,
ó Vida!
            Mendigo-te a forma de
teus peitos meretrícios!
Rogo-te o gozo que jorra
de entre as tuas pernas robustas!
Dê-me qualquer coisa nova ou
                                        antiga:
traições da amada e do amigo,
punhaladas invisíveis que nos
cravam ao coração. Rogo-te e
agradeço-te a dor e, quando possível,
o amor.
                       Quero a experiência
que traga em seu bojo uma fagulha
ínfima de poesia que seja.

E assim jamais nidificarei no vazio.
O vazio aparente é um preconceito:
preconceito do outro que se recusa
a reconhecer a tua já potência.

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