Para MARY SHELLEY

Preciso ir conversar com a musa morta
sob a luz branda das estrelas
onde esteve sentada contemplando as árvores mortas
fulminadas por descargas atmosféricas
hei de me sentar ao redor de fogueiras
para ouvir histórias fantasmagóricas
e ler livros sob a luz de velas em sua companhia
como amantes que pertencem a continentes
e tempos diferentes
preciso ir riscar a brancura de sua tez
com o abismo de meus dedos negros
penetrar e inocular filhos no seu útero agora inexistente
porém muito mais profundo fértil e misterioso do que estes
que caminham por aí.


                          É tão estranho que estando vivo
                          me sinta morto
                          e estando morto sinta
                          urgências de ressuscitar....


Quem sabe um dia possas renascer
frankensteiniana, Shelley.

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