Esta cigarra cantando solitária
no fim desta tarde
deixou minha alma saudosa. Pois
as cigarras me foram
durante alguns anos
da infância
uma companhia agradável.
Nas manhãs me despertavam
e acalmavam...
embora à época eu não
soubesse nada da alma
nem da calma.
Naquele tempo meu pequeno ser
era simplesmente alheio a
perturbações e nada sabia
dos naufrágios que tanto (s)
nos sucedem na vida. No entanto
aquele pequeno ente - já lírico -
mesmo sem o saber guardava
aqueles anos numa das várias
gavetas do seu ser em forma
de rabiscos poéticos. Lembro-me
que nos finais de algumas tardes
corpos de cigarras abandonados
tombavam das árvores sobre o quintal.
E diferente delas enquanto existisse
eu estava fadado a viver neste único
                                               - corpo...

E agora sei tanto
e ao mesmo tempo
tão pouco que
"tudo dói!"

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