quando minha mão de poeta desabrochou
na ponta hasteada do meu braço
mudei para sempre o ritmo do meu passo
e fiz da noite que desde criança
                                         foi minha namorada
a minha própria morada.

eu que imerso nos charcos e nas solidões
pantanosas da vida
                              coaxei com os sapos
guardei o cintilar das estrelas
na imensidão de meus grandes olhos
e adquiri a sabedoria da boca adunca
de corujas misteriosas.

a noite que sempre foi o manto onde
naufrago o meu pranto.
a Noite que durante o dia misteriosa
e silenciosa me aguarda do outro lado
do globo       
               jamais me abandonará ao deus-dará.
tampouco
               a Solidão que é tão misteriosa
porém
           mais criteriosa que a Noite e escolhe
           a dedo aqueles de quem deseja a compa-
                                                                    nhia.

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